Minha carta de Dissociação
CARTA DE DISSOCIAÇÃO
17 de outubro de 2011
Prezados senhores e senhoras, venho por meio deste documento, oficializar meu pedido de dissociação da organização das Testemunhas de Jeová. Pedido já exposto verbalmente por mim na comissão judicativa feita no dia 16 de outubro de 2011.
Declaro que não desejo mais fazer parte desta associação, e não quero mais ser considerando uma Testemunha de Jeová.
Este meu desejo se limita ao escopo da associação religiosa. Eu gostaria de deixar bem claro que:
Não pretendo deixar de ter vÃnculos sociais com os membros das Testemunhas de Jeová, sejam meus amigos ou parentes. Desejo cumprimentar lhes, conversar com vocês, participar de quaisquer eventos, afinal, ter amizade. E quem sabe trocar umas ideias mais profundas.
Porém se estas pessoas passarem a me considerar de modo discriminatório, este será um comportamento tomado e decidido pela própria pessoa, não sendo eu responsável por tal ato.
Busco meus direitos de me associar e de me dissociar livremente de uma organização sem retaliações, ou punições, baseados na Declaração Universal dos Direitos Humanos:
ARTIGO 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espÃrito de fraternidade.
ARTIGO 18.º
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
ARTIGO 19.º
Todo o indivÃduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
ARTIGO 20.º
- Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacÃficas.
- Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
ARTIGO 26.º
- Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
- A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
ARTIGO 30.º
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivÃduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.
Baseio-me no artigo 26.º parágrafo 2, para explicar o motivo para esta minha decisão.
Desde criança sempre fui fascinado por buscar o saber, o conhecimento, algo que a maioria das pessoas não soubesse. Baseado nisso, meu interesse na escola sempre foi por disciplinas que estavam muito além do que a sabedoria popular pudesse explicar. Prova disso é o trabalho da quarta série, onde fiz uma maquete do Sistema Solar.
Mas com o tempo eu decidi investigar além, e descobri que o conhecimento é irresistÃvel. Meus grandes heróis passaram a ser cientistas ou filósofos, como Albert Einstein, Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Charles Darwin.
Este conhecimento mostrou para mim, ser verdadeiro. Porém contrário aos ensinamentos da organização das Testemunhas de Jeová. Pois, uma pessoa que acredita que o tempo e o espaço são relativos, que deus está morto, que nossa mente é formada pelo ego, superego e id, e que todos os animais, incluindo nós, tiveram nossa origem por meio da evolução, são verdades bem opostas aos ensinos da Torre de Vigia.
Estas novas descobertas me fizeram passar por um perÃodo muito confuso da minha vida, pois tudo o que eu aprendia de novo ia de encontro com o conhecimento religioso que antes eu aprendera.
Então tive que fazer uma decisão, ou eu provava para mim mesmo que o conhecimento do mundo era falso ou eu provava que o conhecimento das Testemunhas de Jeová era falso.
Juro que me surpreendi muito com o resultado. Aliás, foi a fase mais difÃcil da minha vida. Aceitar que eu tinha sido criado durante toda a minha vida sobre uma falsa verdade. E pior ainda, que meus maiores amigos e praticamente toda a minha famÃlia estava totalmente imersa neste mundo das Testemunhas de Jeová. Mas não fiquei preocupado com o simples fato destas pessoas muito próximas estarem enganadas, mas principalmente porque eu sabia que elas iriam se voltar contra mim.
E como eu tinha previsto, aconteceu, hoje estou criando esta carta de dissociação. Não está sendo fácil para mim. Minha consciência não pesa, ao contrário, está muito aliviada, mas porque eu tenho certeza que a maioria dos que lerem esta carta não entenderá, pois estão com a mente tão enraizada nos ensinos da Torre de Vigia que o senso crÃtico, intelectual, lógico e racional está prejudicado. E ainda poderão entender o contrário, como se eu fosse uma espécie de vÃrus que devesse ser evitado.
Mas tive que tomar esta decisão, pois nos últimos cinco anos de minha vida tentei conciliar minhas crenças com as das Testemunhas de Jeová, tudo para não perder a companhia vocês, principalmente dos meus pais e amigos mais achegados.
Não sou a primeira nem a última pessoa que faz isto, aliás, o salão está cheio de pessoas presas, principalmente jovens, que desejam se libertar e não se dão ao direito de fazer, por motivos compreensÃveis. A final, por exemplo, qual irmão quer que seu pai perca os privilégios de ancião, ou que sua mãe caia em depressão porque o filho não deseja mais fazer parte desta associação. Daà acabam se prejudicando para não prejudicar outros.
Há cinco anos eu iniciei esta jornada em busca da verdade, e hoje posso dizer com certeza que a encontrei, não me arrependo de ter buscado, e junto comigo levei vários outros irmãos. A esta façanha recebi o tÃtulo de apóstata.
Sinto-me uma bruxa sendo caçada nas épocas medievais, ou como Martinho Lutero sendo excomungado pela Igreja, ou talvez como o prisioneiro da caverna de Platão.
Mas se você quiser saber mais procure na internet a verdade por trás desta organização, sua história e seus erros do passado, leia o livro do Raymond Franz, que foi membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Link para download:
http://tjbiblioteca.blogspot.com/2010/01/baixar-raymond-franz-crise-de.html
Por último quero desejar uma ótima pesquisa para todos.
E busquem a verdade, pois a verdade vos libertará!
Abraços a todos
Júnio